
Essa é uma daquelas perguntas simples que escondem uma resposta mais estratégica do que parece.
É muito comum que o cliente pergunte logo no início: “Doutor, quantas audiências vão ter no meu processo?” e, se você está começando na área trabalhista, talvez você mesmo ainda não tenha tanta segurança para responder.
A verdade é que não existe uma resposta única. Um processo trabalhista pode ter uma, duas ou até mais audiências.
Mas, para entender isso de forma segura, você precisa dar um passo atrás e olhar para aquilo que realmente define o andamento do processo: o rito.
Neste artigo, você vai entender de forma prática quantas audiências um processo trabalhista pode ter, como isso varia na prática e, principalmente, como isso impacta sua atuação em audiência. Acompanhe!
O rito é o que determina o caminho do processo
Quando falamos em audiência, não dá para começar pela audiência. O ponto de partida é sempre o rito processual.
O rito nada mais é do que o caminho que o processo vai seguir, ou seja, a forma como os atos processuais vão se organizar ao longo do tempo.
E aqui existe uma diferença importante em relação a outras áreas: no processo do trabalho, o rito não é escolhido. Ele é definido automaticamente, principalmente com base no valor da causa.
Na prática, embora existam três ritos previstos:
Rito sumaríssimo
- Aplicável a causas até 40 salários-mínimos
- Mais célere (em teoria)
- Limitações importantes (ex: número de testemunhas)
Rito ordinário
- Abrange a maioria dos processos
- Mais amplo em produção de provas
- É o “rito padrão” da Justiça do Trabalho
Rito sumário (quase inexistente na prática)
- Para causas até 2 salários-mínimos
- Pouco utilizado no dia a dia forense
Essa definição inicial já começa a influenciar diretamente a quantidade de audiências e, principalmente, a forma como elas serão conduzidas.
Então, quantas audiências um processo trabalhista pode ter?
De forma objetiva, um processo trabalhista costuma ter uma ou duas audiências. Mas essa resposta, por si só, é incompleta se você não entender o que está por trás disso.
Em muitos casos, especialmente no rito sumaríssimo e em varas que priorizam celeridade, o processo é resolvido em uma única audiência, a chamada audiência UNA.
Nesse modelo, tudo acontece no mesmo momento: tentativa de conciliação, apresentação de defesa, produção de prova e, dependendo do caso, até o encerramento da instrução.
Isso exige um nível de preparação muito maior do advogado. Não existe espaço para improviso, porque você não terá uma “segunda etapa” para corrigir o que deixou de fazer.
Não por acaso, a prática mostra algo que nem sempre fica claro na teoria: a audiência é o verdadeiro centro do processo do trabalho.
É ali que a prova se constrói e que, muitas vezes, o destino da demanda começa a ser definido.
Por outro lado, há situações em que o processo é dividido em mais de um momento.
Nesse cenário, costuma haver uma audiência inicial, voltada principalmente à tentativa de conciliação e à apresentação de defesa, e uma audiência de instrução, na qual serão colhidos os depoimentos das partes e das testemunhas.
E a prática vai além: dependendo do que acontece no processo, pode haver ainda audiências de razões finais.
Isso ocorre, por exemplo, quando após a oitiva das testemunhas, ainda fica pendente a perícia ou esclarecimentos periciais.
A audiência de razões finais, então, serve apenas para receber a réplica escrita (sim, também um elemento da prática) ou para que o advogado faça a adução delas de forma oral (o que é extremamente raro).
Por que isso varia tanto na prática?
Se você vier com uma visão muito teórica, pode estranhar essa variação, porque, segundo a CLT, toda audiência trabalhista seria una. Mas a explicação é simples: o processo do trabalho é profundamente prático.
Inclusive, um dos pontos mais importantes para quem está começando é entender que a CLT nem sempre reflete exatamente o que acontece no dia a dia forense.
Há juízes que concentram todos os atos em uma única audiência, enquanto outros preferem fracionar o procedimento e essa prerrogativa é dada pela CLT que, se de um lado diz que todas as audiências serão unas, de outro permite ao juiz esse desmembramento.
E existe ainda um ponto muito sensível na prática: a presença das testemunhas.
Diferentemente de outros ramos, no processo do trabalho não há um arrolamento formal prévio.
A dinâmica gira em torno do convite, e a ausência de uma testemunha pode gerar adiamentos e, consequentemente, novas audiências.
O erro mais comum de quem está começando
Se existe um erro que se repete entre advogados é focar apenas na audiência e ignorar o que vem antes dela.
A audiência começa muito antes do dia designado. Ela começa no despacho inicial.
É nesse momento que você vai entender qual é o tipo de audiência, como aquela Vara conduz o procedimento, se haverá prazos prévios e quais são as orientações específicas do juízo.
Ignorar isso é o caminho mais rápido para chegar despreparado, especialmente em uma audiência UNA, em que tudo acontece de uma vez.
No fim, não é sobre quantidade de audiências
Se você precisa levar uma ideia central deste tema, é esta: saber a quantidade de audiências não é o mais importante, mas sim o que se faz em cada uma delas e como você se prepara.
Saber se haverá uma ou duas audiências ajuda no planejamento, na organização da prova e na orientação do cliente.
Mas é a sua atuação em audiência, especialmente na produção de provas, que vai fazer diferença no resultado final.
Porque, na prática, o processo do trabalho se decide muito menos no papel e muito mais naquilo que acontece dentro da sala de audiência.
Se você quer atuar com mais segurança na prática trabalhista precisa ir além da teoria.
A verdade é que a faculdade não prepara para o que realmente acontece na rotina forense.
E é exatamente isso que faz muitos advogados se sentirem inseguros nos primeiros processos.
Foi por isso que eu criei o curso Temas Trabalhistas Essenciais, que abre nova turma agora em maio.
A ideia não é te ensinar “mais do mesmo”. É te mostrar como o processo funciona na prática, quais são os pontos que realmente fazem diferença e como você pode se posicionar com mais propriedade desde o início.
Se você quer encurtar esse caminho, evitar erros comuns e ganhar confiança na atuação trabalhista, esse é o próximo passo.
Acompanhe o site e garanta logo a sua vaga na minha próxima turma.
Com carinho,
Anne.